Os novos Torquemadas

 
Ainda noutro dia, alertado por um texto que li algures,  lembro-me do famoso beijo no final da 2 guerra mundial entre um marinheiro e uma enfermeira, captado pela lente de Alfred Eisenstaedt em Times Square a celebrar a rendição do Japão e o fim da 2 guerra mundial.
Naquela altura limitou-se a gerar imitações e alguma curiosidade.
Hoje o célebre beijo deixou de ser uma manifestação de afecto, uma celebração de paz para se tornar símbolo de uma neo cultura de violação e assédio sexual. Tudo ofende, tudo é perverso.
O raciocínio é simples tal como as cabeças destes neo-micro-agredidos: o marinheiro não conhecia a enfermeira e beijou-a sem autorização. Logo, esta malta que fareja proibições, blasfémias e pecados, sempre tão cheia da sua oca importância sugere(exige) castigos, proibicões, regular comportamentos, de acordo com a cartilha  que definiram para todos da "igualdade de género", o racismo, o patriarcado tóxico e demais sortido de disparates avulsos.
Já só falta queimarem as pessoas na fogueira em autos de fé com muito berreiro e pouco discernimento, ao estilo de Torquemadas modernos mas, por este andar, lá chegaremos. O mais engraçado é que a dita enfermeira afirmou mais tarde que  se lembrava da felicidade daquele momento e que disse, e passo a citar, " não consigo pensar em ninguém que encare o beijo como assédio".
Mas o facto é que há gente assim, que pensa assim e que está a tomar conta das nossas sociedades.
Este puritanismo ferveroso, este policiamento da moral(dos outros, claro!) não é inédito: a História está repleta de exemplos desta malta que se ofende com tudo, menos com os seus vícios privados.
Apenas pergunto se, passados 3 a 4 séculos que nos livrámos enquanto civilização dos santos inquisidores, foi para chegar a isto?
Convinha crescer um bocadinho, deixarmos deste wokismo de imbecilódes que, do alto da sua pretensa superioridade moral,se acham os donos do mundo.

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