Noite de cristal versão 2.0

 "Regressado do Irão, onde se encontrara com o Hamas, Neville Chamberlain acenou com o Acordo do Teerão e congratulou-se por ter garantido a paz. Chamberlain esforçara-se por aquele resultado, tendo suportado os fortes e persistentes ataques de extremistas de direita como Winston. Mas no dia seguinte o Hamas trucidou a Checoslováquia, assim precipitando a queda de Neville, e a subida ao poder de Winston.

Contra boa parte da sociedade elegante e da imprensa -- e contra os gritos irados de Oswald Mosley, que recomendava o novo mundo do Hamas -- Winston declarou que não se conversa com nazis, cuja nova sociedade era a tirania e a barbárie, o fim da civilização. Intelectuais e gente branda em várias capitais da Europa desceram às ruas para se manifestar a favor dos palestinianos e contra a sede de sangue de Winston, a quem responsabilizaram por todo o sangue que fosse vertido a partir daí.

E quando os homens do Hamas invadiram Holanda, Bélgica e França, matando os que consideravam untermenschen (os judeus, os mestiços, os homossexuais, os democratas, os cristãos e quem mais assim classificassem) e impondo o nazismo, a Imprensa de esquerda responsabilizou o extremismo de Winston. E quando os aviões do Hamas começaram a esmagar os londrinos sob as bombas, a imprensa progressista acusou Winston de ter conhecimento prévio desses bombardeamentos, e os ter permitido para incendiar o sentimento anti-Hamas. E quando, anos depois, os aviões de Winston e dos seus aliados começaram a esmagar os últimos estertores dos nazis, a mesma imprensa clamou por uma resposta mais proporcional, e titulou que o sacrifício desnecessário de homens e mulheres do Hamas já subjugado também haveria de recair sobre a cabeça dos norte-americanos.

Ao fim de milhões de mortos causados pelo terror do Hamas, o nazismo foi esmagado. A imprensa progressista continuou a interrogar-se se teriam sido tantos os mortos caso tivessem sido dados aos nazis mais compreensão e espaço. E os eleitores que tinham votado Winston com relutância juntaram-se aos eleitores pacifistas e aos cúmplices do Hamas capitaneados por Moswell, e, para se vingarem - uns, por não terem tido razão, outros, por terem perdido -- puseram Winston na rua.'

Este texto brilhante é da autoria de José Mendonça da Cruz e foi publicado no dia 15/10/2023 no jornal "Observador".

É um texto ficcionado que aproveita a História recente-2 Guerra Mundial- para mostrar estes tempos de imbecilidade colectiva que vivemos. 

Assistimos(uma vez mais) a um antissemitismo militante e assustador que ressuscita fantasma que julgávamos estar enterrados desde 1945. Mas parece que não.

O ódio, o rancor e a bestialidade são apenas caracteristicas do ser humano.

Vi classificarem os terroristas do Hamas como animais. Não são animais. Na natureza os animais não se comportam assim, com crueldade e pura maldade. Matam para se defenderem ou para comerem. Estas bestas matam por prazer sádico.

Mas ainda mais insólito é a procissão de aderentes à "equivalência moral" que tudo desculpam e justificam por algo que eles acham ser um bem maior.

São tão culpados como aqueles que chacinaram crianças, as queimaram vivas, que mataram mulheres grávidas, esventrando-as, deixando o feto ainda agarrado com o cordão umbilical fora do corpo da mãe, que violam e matam mulheres e depois as exibem como troféus nas ruas de Gaza, que matam jovens que se divertem num festival apenas porque cometeram o crime de serem judeus ou estarem em Israel no local errado e na hora errada, que sequestram civis para serem trocados(se tiverem sorte) por terroristas presos ou para servirem de escudos humanos, que levam como reféns velhos em cadeiras de rodas-alguns e por ironia do destino-sobreviventes do holocausto etc etc. O rol de barbaridades é inimaginável.

Não vou pedir ou esperar que gente que suporta isto, apoia isto e desculpa isto, tenha qualquer valor ético, moral ou de empatia. Por debaixo do verniz reles  da conversa "humanista" dos perigos da escalada, da paz ou do sofrimento do povo de Gaza, está um ódio profundo aos judeus: a eles não lhes interessa isso. Quando estala o verniz é que vemos as suas reais intenções: interessa-lhes apenas riscar Israel do mapa, e que os judeus desaparecam da face da terra.

Espero que quando forem jantar, lavem as mãos no sangue inocente dos bébes judeus assassinados nos Kibbuts de Israel. 




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